22 maio 2010

Cícero, 42 aC

"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite, para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe." Discurso de Cícero, tribuno romano, 42 aC.

20 maio 2010

2.000 Obras por Fazer

Dizem que Brasília tem mais de 2 mil obras em andamento. Isso é bom. Mas observando bem, veremos que elas são 2 mil bagunças, tanto durante, quanto após, quando os montes de terra, cascalho, entulho e pedras ficam jogados, esperando que o tempo e o vento dêem-lhe um jeito. As pistas ficam sem sinalização, dando chance a acidentes, e as laterais, sem urbanização e sem gramados, acumulam lixo, soltam poeira na seca e criam lama nas chuvas. A cidade fica feia. Com 2 mil novas obras por fazer.

19 maio 2010

Concessões a Fazer

As concessões de transportes coletivos em Brasília têm produzidos notórias fortunas sem a proporcional contraprestação em qualidade e segurança. Ouvi idéia interessante: ao invés de conceder apenas as linhas, o poder público deveria fatiar também os horários, de forma a produzir maior concorrência entre empresas. Seriam licitados, no mesmo bloco, pelo menos dois horários: um com muito e outro com pouco movimento de passageiros, de forma a manter o serviço operando 24 hrs. Com diversas empresas atendendo a mesma linha, o poder público ficaria menos "dependente" das poucas empresas existentes e seus "artifícios", havendo maior flexibilidade para substituir as empresas faltosas e consequente melhoria global na qualidade dos serviços.

Coletivos e Agressivos

Qual seria o motivo de os coletivos de Brasília se deslocarem de forma tão rápida e perigosa? Por tratar-se de concessão de serviço público, tais veículos deveriam, de modo inverso, restringir-se a um comportamento menos agressivo à sociedade que serve, com controles de velocidade, e de quantidade, conforto e segurança dos veículos, não esquecendo o treinamento de pessoal. Tais controles, diz a lei, deveriam estar sendo exercidos pelo GDF, sob fiscalização do MPDFT e do TCDF.

04 maio 2010

Gol Contra

Milhas SMILES já foram um bom negócio. Hoje, sua conversão em passagens só pode ser feita pela internet, e é pena que isso não funcione bem. No meu caso, o sistema travou exatamente (maior azar) naquele microinstante entre o débito das milhas e a emissão do respectivo e-ticket. Fiquei sem ambos. Saí na noite e fui à loja da GOL no aeroporto, só para ouvir propostas indignas: ou a perda das milhas, ou dava-lhes uns dinheiros para restituí-las. Não era quantia bastante para levá-los ao Tribunal Especial Cível (pequenas causas), mas suficiente para fazer-me decidir não mais acumular tais humilhantes milhas.

03 maio 2010

O Iglu de Brasília

A arquitetura moderna e marcante de Brasília, muito se critica, oferece um contraste: fotogenia para as revistas; e permanente incômodo para o ser humano que nela precisa habitar ou trabalhar. E isso não tem mudado ao longo de seus 50 anos. Basta observar a entrada da gigantesca cópia de iglu localizada na praça principal da cidade para constatar que o prédio, apesar de batizado na categoria museu, não recebeu guarita em sua plantas de arquitetura; apenas duas cadeiras chinfrins, dessas de refeitório, onde se acomodam, na própria entrada, à vista dos visitantes, os vigias com seus lanchinhos e radinhos de pilha.

02 maio 2010

Asfalto Liso em Brasília

As vias de Brasília, capital nacional, são repletas de calombos e depressões. Mas um asfalto de qualidade deveria durar décadas sem precisar ser refeito: basta ver o europeu e o norte-americano, onde não há remendos. Por alguma boa razão, a camada de asfalto no DF é fina, e se desprende com facilidade nas chuvas. Possivelmente pela mesma razão, quem devia fiscalizar a execução das obras não o faz, nem no nível executivo, nem no legislativo. A cada chacoalhada que seu carro dá, aposte que alguém ganhou dinheiro com ela. Essa boa razão, é bem possível, um dia vamos descobrir que se chama corrupção.